Indústria automotiva prioriza descarbonização e aposta em biocombustíveis na transição energética até 2028

21 05 2026

Estudo realizado pelo IQA aponta que o modelo brasileiro deve combinar eletrificação gradual, híbridos e fontes renováveis, com foco em soluções sustentáveis e alinhadas às características do país

A descarbonização já lidera a agenda da indústria automotiva brasileira e concentra 27,1% das prioridades do setor até 2028, segundo o “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028”, elaborado pelo IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, com a participação de 60 lideranças da cadeia produtiva.

O levantamento indica que a transição energética no país deve seguir um modelo multitecnológico, baseado na combinação de eletrificação gradual, sistemas híbridos e uso de biocombustíveis. A abordagem reflete tanto a matriz energética brasileira quanto a busca por alternativas mais viáveis do ponto de vista econômico e ambiental.

Além da descarbonização, pressões relacionadas a critérios ESG aparecem com 23,7% das menções entre os temas mais relevantes, seguidas pela eletrificação, com 20,3%. O cenário aponta para o aumento das exigências por redução de emissões, rastreabilidade e transparência, impulsionadas por regulações internacionais, investidores e mudanças no comportamento do consumidor.

Nesse contexto, o Brasil tende a se diferenciar de mercados que avançam para a eletrificação plena ao apostar em soluções de menor emissão baseadas em biocombustíveis e tecnologias híbridas. A estratégia é vista pelo setor como uma forma de equilibrar sustentabilidade e competitividade, especialmente diante das limitações de infraestrutura e custo.

“A transição energética exige uma abordagem alinhada às características do país, combinando diferentes tecnologias para garantir ganhos ambientais de maneira sustentável”, afirma o diretor superintendente do IQA, Alexandre Xavier.

Apesar das oportunidades, o estudo aponta desafios estruturais relevantes. A necessidade de investimentos em infraestrutura, desenvolvimento tecnológico e qualificação profissional aparece entre os principais entraves, além da necessidade de ampliação e atualização de regulamentações específicas para acompanhar a evolução do setor.

A agenda ambiental também traz impactos econômicos. Embora a sustentabilidade seja tratada como estratégica, ainda há incertezas sobre custo, retorno financeiro e viabilidade de implementação, sobretudo em segmentos mais sensíveis da cadeia automotiva.

Nesse cenário, a evolução dos requisitos de qualidade e das soluções tecnológicas passa a desempenhar um papel central na consolidação de modelos mais sustentáveis e eficientes ao longo de toda a cadeia produtiva.

“A transição energética no setor automotivo exige integração entre tecnologia, qualidade e capacitação profissional, garantindo que as soluções adotadas sejam sustentáveis também do ponto de vista técnico e industrial”, ressalta o presidente do IQA, indicado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cláudio Moysés.

O levantamento também aponta para a intensificação da concorrência internacional no setor, com a entrada de novos fabricantes e importadores no mercado brasileiro.

Por outro lado, o estudo aponta espaço para protagonismo do Brasil na agenda de mobilidade sustentável, com potencial para se consolidar como referência em soluções de baixa emissão, especialmente no uso de biocombustíveis e no desenvolvimento de motores mais eficientes.

A avaliação do setor é que a transição energética não será linear e exigirá integração entre tecnologia, qualidade, regulação e capacitação profissional para garantir equilíbrio entre sustentabilidade e competitividade.

Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil até 2028

O “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028”, que será lançado no dia 18 de maio, foi elaborado com a participação de 36 entidades e 60 lideranças do setor, representando entidades setoriais que representem cerca de 230.000 empresas atuantes em todos os elos da cadeia automotiva, produtiva e pós-vendas. A pesquisa combina entrevistas, questionários e análise de dados para mapear tendências tecnológicas, desafios industriais e o papel da qualidade na competitividade do setor. O material será disponibilizado ao público por meio dos canais oficiais do IQA após o lançamento.

Sobre o IQA

Criado em 1995 por entidades do setor e do governo, o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva é uma organização sem fins lucrativos de desenvolvimento e disseminação da Qualidade no Setor da Mobilidade, com objetivo de proporcionar mais segurança ao consumidor, a partir de produtos, sistemas e pessoas com qualidade assegurada através de certificações compulsórias ou voluntárias. Representante de órgãos internacionais e acreditado pela CGCRE – Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (www.inmetro.gov.br) como organismo de certificação, promove treinamentos presenciais e online, conteúdo em publicações/estudos técnicos, inspeções e ensaios de laboratório, com uma cultura de inovação e proximidade às necessidades das organizações e sociedade.

 

Assessoria de Imprensa do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva
Assessores de Comunicação: Ana Flavya Hiar e Larissa Rodrigues
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