Você já imaginou o que pode acontecer com um veículo se não for corretamente reparado, se ficar com alguma peça do sistema de direção folgada e não seguir rigidamente as normas de qualidade? Os riscos na reparação de um automóvel englobam desde fatores organizacionais dentro das oficinas até a segurança dos usuários do veículo. As oficinas devem ter conhecimento, capacidade técnica para evitar riscos, fatores que não devem estar relacionados somente à visão de negócios e lucros, mas também o bem-estar dos funcionários e clientes. Seguir normas de certificação é o caminho mais adequado para uma gestão sem riscos.
A prevenção de riscos em uma oficina possui duas vertentes: uma é junto ao Ministério do Trabalho, por meio da Medicina Ocupacional, que lista os riscos que a empresa pode oferecer e o que deve ser seguido para a proteção dos funcionários; e a outra é na área da logística, pois se o fluxo interno estiver com problemas pode haver riscos de retrabalho e prejudicar a produtividade na cadeia de serviços.
Voltando a primeira vertente, que foca a segurança das pessoas, quero ressaltar, também, que é preciso incluir os clientes. Da mesma maneira que os consumidores fazem a manutenção preventiva do veículo para garantir segurança e evitar problemas antes de sair para uma viagem, as oficinas que atendem estes clientes devem estar preparadas para receber, revisar, reparar e entregar o automóvel em perfeito estado e, o mais importante, com segurança.
Enquanto para o cliente o carro é a máquina que ele opera, para o funcionário são as ferramentas de reparação. Então, o elevador de autos, alinhador, carregador de baterias, entre outros equipamentos necessitam de manutenção. O objetivo é manter a qualidade da reparação e a segurança do operário.
Os riscos existem em todas as operações. Portanto, o gestor e seus funcionários devem se concentrar no que fazem e seguir os padrões requeridos para este fim. Quando um veículo é montado, precisa ser definida, ao mesmo tempo, a reparação de cada sistema, do que é composto cada componente, como funciona etc. O reparador precisa dessas informações para seguir os procedimentos à risca. Imagine se o carro do cliente sofre uma colisão e ocorre o encolhimento das longarinas do veículo. Na oficina, o profissional deve executar o serviço de acordo com as regras e delimitações de cada veículo. Se ele esticar de mais ou de menos, o carro não desempenhará suas funções corretamente, pois outras partes do veículo serão comprometidas.
Já para gerir uma oficina, outros riscos estão envolvidos e é preciso estar atento a alguns cuidados. Assim como para dirigir um automóvel o motorista e todos os passageiros necessitam de sinto de segurança, o mecânico não deve trabalhar sem o EPI (equipamento de proteção individual). Seguindo a mesma comparação, há o manual do carro, que mostra aos motoristas onde ficam os principais comandos; nas oficinas também existe o similar, ou seja, cada veículo possui o seu padrão de conserto, adquirido através do CDI (Centro de Documentação e Informação) do Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo). Ainda, os profissionais reparadores podem encontrar especificações junto às concessionárias, fabricantes de autopeças e até fábricas de tintas. Os fabricantes especificam o modo correto de utilização e conserto de cada produto ou peça.
A dica principal para garantia da qualidade na gestão de riscos é seguir referências que podem ser adquiridas por meio de organismos de certificação, como o IQA (Instituto da Qualidade Automotiva). O organismo de certificação verifica, por meio de normas técnicas, quais são os pontos vulneráveis. As normas ajudam a gerir uma oficina segura, com menor probabilidade de riscos, porque abrangem requisitos nas áreas organizacionais, instalações, equipamentos, materiais e produtos, processos de trabalho e pessoas.
Os riscos existem em todas as áreas, mas podem ser reduzidos, e muito, quando o gestor e demais profissionais estão capacitados para preveni-los, seja no bom atendimento ao cliente, na qualidade do serviço prestado, na segurança dos profissionais envolvidos, e assim por diante. Um sistema de gestão da qualidade também auxilia as oficinas neste sentido. Implemente um!
Folheto Sindirepa
jun/2010