"A união faz a força" é uma expressão que já virou clichê, mas exemplifica muito bem, não somente no setor da reparação, mas em todos os setores da sociedade, que formar parcerias entre empresas semelhantes pode trazer muitos benefícios em comum.
E isso acontece independentemente do tamanho do seu negócio, haja vista as famosas parcerias que se formaram nos últimos tempos: Unibanco e Itaú, Real e Santander, Pão de Açucar e Ponto Frio e a última delas, Pão de Açúcar e as Casas Bahia.
Não que uma empresa não sobreviveria sem a outra, mas ampliar mercado só vai fazer atender melhor os seus clientes. E esse é um objetivo em comum de todas essas gigantes do mercado nacional e, assim, pode ser também no mundo da reparação.
Duas ou mais empresas que se encontram para ganhar força no setor e colher os frutos dessa tendência global. As concessionárias das grandes redes são modelos dessa fórmula, lideradas por cada uma das marcas, conseguem muitas vantagens pelo seu formato em grupo.
Em mais essa matéria preparada com apoio do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), falamos um pouco sobre a importância da parceria para crescer no acirrado mercado da reparação. "Hoje em dia, a tendência é fazer do concorrente um parceiro para ganhar força e outros benefícios se souberem trabalhar em equipe. Aquele que eu considerava meu adversário, é na verdade, meu parceiro", acredita José Palacio, do IQA.
De acordo com Palacio, o IQA percebeu uma situação interessante nesses últimos anos: a oficina que está sozinha demora mais para crescer e sente mais dificuldade na hora de buscar uma certificação. "Isso acontece por uma série de fatores, inclusive financeiros, afinal, a parceria também reduz custos de projetos e melhorias", afirma.
Não existe um formato para se formar um grupo, cada empresa escolhe como melhor lhe convém, mas na maioria das vezes se dividem por regiões demográficas. O empresário pode buscar na sua cidade e em sindicatos ou associações de classe grupos já formados para fazer parte ou pode criar o seu próprio grupo, desde que tenha capacidade de organização e objetivos em comum.
"Tudo flui para o aspecto da qualidade", diz Palacio, "mas já se comprovou que sobreviver sozinho é mais difícil".
Empresas melhor preparadas e melhor formadas têm mais possibilidades de atingir melhores resultados. As concessionárias, por exemplo, trabalham em rede e são fortes não apenas por causa da marca, mas por serem unidas, e chegam até a ganhar força num eventual impasse com a montadora. "Um dos primeiros grupos de oficina a se unir foi a Rede Autenticar, de São Paulo, com o objetivo de diminuir custos, principalmente, na compra de equipamentos e ferramentas", explica.
Existem outros grandes grupos em São Paulo e também associações -Assovesp, GOE e Câmaras Setorias do Sindirepa - SP são outros exemplos - e todos passaram a ter mais vantagens em vários setores da empresa por conta dessa união. "Eles têm benefícios na compra de equipamentos, uniformes, peças, ferramentas e serviços em geral", comenta Palacio.
Outros grupos conseguem apoio de entidades como o SEBRAE, por meio do projeto Empreender, e aproveitam para gerar benefícios para todos os que participam. "Uma denominação jurídica tem facilidade, inclusive, para conseguir verba para projetos e preparação de oficinas em questões envolvendo qualidade.
As associações mostram bem isso: é mais fácil conseguir objetivos em grupo, até politicamente", avisa.
Depois que o grupo é formado, os membros podem criar um nome e registros legais ou apenas trabalhar em parceria, sem formalidades. "Os grupos que crescem criam diretoria, regulamento, formalização e padrão de qualidade. Alguns contam com mensalidades para os membros a fim de manter o grupo e outros não, depende de cada caso", afirma Palacio.
As vantagens da união são muitas e incluem a facilidade de negociação com fornecedores, seguradoras e fabricantes. Afinal, comprando em maior número o grupo consegue melhores preços e condições de pagamento.
"A união vai baratear na aquisição de equipamento em conjunto, como uma cooperativa, e até na negociação com fornecedores, que passam a reconhecer o grupo ampliando os benefícios na aquisição de peças, acessórios e componentes", diz.
Benefícios da união em grupo
* Comprar equipamentos e peças mais baratos
* Melhores negociações com fornecedores e fabricantes
* Mais facilidade para propor projetos
* Emprestar ferramentas de pouco uso
* Diminuir custos de consultorias externas e da certificação IQA
* Troca de informações técnicas e tecnológicas
* Propor melhorias
* Troca de informações de RH e de ambiente de trabalho
* Fazer reuniões técnicas para discussão de problemas
as os empresários devem ficar atentos para não deixar cair os padrões e as regras estabelecidas na formação de grupo. "As empresas desenvolvem um grupo para discutir melhorias e, de repente, percebem que o grupo não consegue evoluir, aí retrocedem e as coisas começam a se perder. Por isso, a certificação é uma ferramenta para manter esse padrão vivo, pois conta com auditorias periódicas que ajudam nesse sentido, além da exigência da melhoria contínua", afirma Palacio.
Ele afirma que quando os empresários buscam a certificação em grupos, eles ganham na qualidade e reduzem os custos.
"O IQA pode ajudar a criar um diagnóstico inicial para saber o estágio que se encontram e, inclusive, monitorar de forma independente a evolução da preparação (com ou sem consultorias) para a certificação, garantindo os melhores resultados.
O custo de consultores e da certificação podem ser facilitados para o projeto, saindo mais barato porque é em grupo".
Palacio afirma que é mais difícil até certificar a oficina sozinha, já que os grupos dão condições de dividir o custo das viagens de vistorias periódicas para acompanhamento do processo.
"Com tudo isso dá para se convencer que qualquer atividade a ser implementada no grupo que tenha capacidade de organização e gestão de objetivos, será muito mais fácil de se atingir, podendo ainda buscar parceiros que podem ajudar e muito nessa evolução.
É até uma necessidade de mercado, para confrontar outros grupos", completa.
Opinião de quem participa
O Mecânico: Para os empresários da reparação, quais são as vantagens de participar de um grupo como o GOE?
Pedro Scopino, membro do GOE: "Trabalhar em grupo é muito melhor, afinal de contas, conseguimos somar o que cada um tem de melhor. A soma das experiências permite a todos um grande crescimento e amadurecimento profissional.
É igual a um time de futebol, ninguém pode jogar sozinho, a grande habilidade de um atacante deve ser somada a garra de um bom zagueiro, e no grupo GOE (Grupo de Oficinas Especializadas) é assim, o conhecimento em eletrônica de uns, se soma à experiência em motores de outros e daí por diante.
O Mecânico: Essa parceria facilita a gestão da qualidade dentro das oficinas?
Scopino: Sim. É dividido e melhorado cada ação que uma oficina faz para as demais, como por exemplo, o GOE possui um questionário com 25 questões de múltipla escolha para a seleção e contratação de funcionários. Também temos banners promocionais em conjunto. parceiros semelhantes.
Um grande destaque realizado em 2009 foi a utilização de sacolas retornáveis para as autopeças e distribuidores.
Todas as oficinas participam desta ação simples e ecológica que consiste em não utilizar sacolas plásticas no transporte de peças para as oficinas. cada oficina tem um jogo de sacolas personalizadas com seu logo, do GOE e dos patrocinadores, e as sacolas vão e voltam para as autopeças.
Em parceria com a Ecóleo, boa parte das oficinas do GOE são pontos de coleta de óleo de cozinha.
Site O Mêcanico
jun/2010