Você investiu num software na loja para controle de ações internas e externas, fez gestão eficiente do estoque e escolheu ‘a dedo’ os fornecedores, mas às vezes falta ou sobra peça no estoque? Falha no sistema, informações inseridas de maneira incorreta? Pode ser um bug no sistema até mesmo falta de atenção na logística. Sim, a logística porque para uma boa gestão de estoque, é preciso, também, ter logística eficiente.
Para começar deve-se, antes de tudo, fazer levantamento do estoque por meio de inventário, que deve ser realizado periodicamente. O objetivo é confrontar as informações do ‘estoque físico’ com o contábil, registrado no sistema. Ou seja, se sua loja possui um software de gestão, ele indicará que há em estoque x pastilhas de freio, com base nos registros de recebimento e venda. A cada 15 dias, por exemplo, deve ser feita esta contagem para verificar se o estoque não está com falha. Vamos à prática: a loja vende 100 pastilhas de freio mensais e o contábil indica que há 250 pastilhas para os próximos três meses. Mas se houver, na realidade, 150 e o pedido para o fornecedor for efetuado com base no contábil, serão menos peças em estoque e o produto pode acabar antes. Então, é a partir do inventário que os gestores devem se programar junto ao fornecedor para não ficar com peças em excesso e nem com sobras.
Aliado a isso, é importante verificar, também por meio do software, a média de consumo das peças. Independente do período do levantamento, trimestral, semestral ou anual, deve ser feita uma triagem para verificar os períodos de pico de vendas dos componentes. A palheta do limpador de para-brisa costuma sair mais em época de chuva ou em meses de calor, já que a borracha tende a ressecar. A média do ano da loja pode ser de 250 itens/mês, mas em janeiro, por exemplo, este número salta para 400. Se o gestor não ficar atento ao detalhe, o componente vai faltar no verão e sobrar em períodos de retração de vendas. Outros componentes, como conjunto de embreagem, costumam ter vendas lineares, sem picos. Por isso, para programar os pedidos, é preciso trabalhar com o levantamento anual e os picos de venda durante o ano das peças.
Outro ponto importante é que para cada tipo de peça, é importante saber quais fornecedores entregam o produto porque na falta de um, pode-se recorrer ao outro. Além disso, se para um determinado componente apenas um fornecedor abastece o mercado, é importante solicitar um volume maior de peças ou encurtar o tempo dos pedidos. Número que é calculado, também, com base nas vendas mensais.
Além da gestão do estoque, a logística também está relacionada ao recebimento, conferência e embalagem de peças. No recebimento, é muito importante que o lojista confira a peça em relação à nota fiscal porque, às vezes, podem acontecer falhas. Depois, a quantidade de peças deve ser verificada, além do estado dos produtos e da embalagem. Isso tudo sem esquecer, é claro, de fazer o correto registro de entrada das peças no software e sua localização no estoque. Já para os itens quem vêm em volume maior, como parafusos, porcas e arruelas, o custo da embalagem não compensa. O gestor, optando por compra a granel, pode embalar o produto de acordo com a quantidade de venda desejado, respeitando os pontos já levantados e programando os pedidos.
A certificação do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva) é uma ferramenta que pode auxiliar e agilizar todos estes processos, pois exige controle informatizado da loja, gestão eficiente do estoque, cuidados na escolha do fornecedor, entre outros pontos para se conquistar uma logística eficiente. Lembre-se que o foco é sempre o bom atendimento e satisfação do cliente e isso só é possível com um processo interno e externo que flui bem, e a boa logística é parte essencial do negócio.
Automotivo
mai/2010