Artigo

Treinamento adequado

Sergio Canossa

É comum encontrarmos em treinamentos classificados como básicos alguns profissionais cujo conhecimento é compatível com eventos avançados. E a situação inversa também é verdadeira: profissionais com nível de conhecimento para participar de eventos básicos participando de eventos avançados. E qual o resultado de tudo isto? Perda do investimento realizado pela empresa!

No primeiro caso, quando um profissional que já possui bons conhecimentos participa de um evento básico a tendência é de desmotivação ao receber novamente informações que já domina. Algumas vezes o instrutor consegue conciliar e utilizar esta experiência de forma que todos possam ser vencedores.

Para isto, faz uso dos exemplos que este profissional torna público. Porém, se o treinando mantém sua expectativa acima dos demais participantes, prejudica o curso, entra em conflito com o instrutor e a organização promotora, culminando com uma péssima avaliação de ambas as partes.

No segundo caso, quando o evento é avançado e o treinando está adequado para o curso básico, ocorre conflito de interesses que podem afetar inclusive os demais treinandos. Mas, em geral, o treinando sente-se deslocado pois seus questionamentos não são pertinentes. Se insistir, estará destruindo o planejamento do evento e provocando atrasos e outras perdas. De qualquer forma as avaliações de reação são igualmente péssimas.

Em quaisquer situações a quem cabe responsabilizar? O fato é que houve desperdício de recursos de qualquer forma. A analista de treinamento localizou e atendeu às necessidades que foram apresentadas. A organização promotora recebeu a inscrição e, entende que o cliente verificou tratar-se de um curso com público definido – geralmente já no título do evento.

O instrutor preparou-se para apresentar o evento ao público esperado. O treinando recebeu a autorização para ir ao tão esperado curso. Ao final todos são inocentes. Agrava-se, no entanto, o fato de muitas vezes haver uma data limite estabelecida para o atendimento da necessidade e, a organização promotora além de ser amplamente respeitada, divulgou data e atende imediatamente. Assim, quem tem expectativa de problemas?

Uma solução que propomos é o auto-diagnóstico pelas organizações. Sim, um auto-diagnóstico por se tratar de um evento aberto, mas que pode se transformar num diagnóstico completo se for um evento dedicado a uma empresa ou grupo de empresas. Aplica-se um questionário pedagogicamente elaborado cujas questões permitam classificar o treinando no nível correto para sua inscrição. Assim as perguntas evoluem do básico ao avançado para determinar o grau de conhecimento preliminar dos candidatos.

As perguntas são elaboradas com forte subsídio ao raciocínio e buscam a aplicação do tema em questão. Mesmo perguntas de múltipla escolha são aptas para verificar tais habilidades. As respostas (opções) devem ser preparadas para promover a reflexão e nunca permitir a escolha pela simples eliminação dos aspectos óbvios. Tendo um bom gabarito as respostas que promovem a dúvida entre o certo e o errado (chamadas por entidades como o MEC de distratores, no Exame Nacional de Cursos) devem ser imbuídas de real possibilidade de certeza devido a sua coerência.

Uma boa pré-avaliação permite discriminar os participantes para que, aqueles que sejam público alvo dos cursos básicos naturalmente acertem menos do que os indicados aos cursos avançados.

Portanto, antes de contratar seu próximo evento, seja aberto ou em grupo, e, que tenha versões como básico e avançado, não hesite em solicitar do seu fornecedor uma pré-avaliação dos treinandos. Assim, o investimento em treinamento será bem sucedido. De qualquer forma, se tiver dúvida faça o mesmo procedimento.

Sergio Canossa
mar/2008

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