Por Sergio Canossa*
O líder precisa estar sempre um passo adiante. Sem a ação dos líderes, em cada organização, não podemos estabelecer os rumos a serem tomados na economia de cada uma das nações. Discute-se muito se liderar é um dom ou se podemos formar nossos líderes. Sempre haverá aqueles que possuem o dom, mas essencialmente acredito que o líder deva ser forjado a cada instante nas organizações e, através das oportunidades de relações construtivas com os clientes, entidades de classe, contato com os fornecedores, nas ações concretas para se alcançar os resultados esperados. Um líder não é formado nos bancos escolares e sim no chão de fábrica e nas mesas de negócios em todo o mundo. O líder nasce da pró-atividade e constrói-se na necessidade. Não adianta nascer líder, ter o dom da liderança se nada favorecer o despertar destas qualidades. Um ambiente estável não permite que se nasçam e nem que se formem os líderes. Um ambiente desafiador por outro lado, exige que haja manifestação de liderança sob pena de não se concretizar.
O líder deve ser o gestor das transformações que necessitamos e reger com habilidade e maestria a orquestra (sua equipe) ao qual tem ascensão. O líder não impõe sua posição para que prevaleça sobre os seus comandados, ao contrário, conquista-a com base no envolvimento e cooperação mútua. Deve ser integralmente o primeiro a se expor e o último a abandonar o barco. É quem está na linha de frente e representa os anseios de seus liderados e deve proporcionar oportunidades para que todos possam crescer. Preocupa-se em formar aquele que virá substituí-lo. O desafio dos líderes do século 21 está na gestão do conhecimento e, na busca de oportunidades para transformá-lo em valor para toda a sociedade, para os acionistas das organizações e para os seus liderados. É o único caminho para a conquista da competitividade através da qualidade e da produtividade. De nada adianta aumentar o grau de escolaridade da população se não houver nas organizações quem estabeleça as diretrizes para que haja um movimento em direção ao sucesso.
O líder também tem o desafio de mudar o paradigma, transformar-se no pilar das estratégias e deixar para a hierarquia a missão de realizar por intermédio do exercício do poder. Liderar pelo exemplo ao invés de mandar. Ser um líder servidor como apregoa James Hunter em “O monge e o executivo”. Conduzir o projeto de futuro e delegar as ações do presente. Quando se dedica ao hoje o líder abre a oportunidade de fracasso e corre o risco de não ter a quem liderar no futuro – e este pode ser no curto prazo. A gestão das estratégias requer a missão de executar as hipóteses de como será o futuro e, buscar as oportunidades para que se antecipe propondo soluções e transformando em projetos para que sua equipe agregue valor aos investimentos dos acionistas. O uso de cenários é uma ferramenta de gestão estratégica que visa possibilitar ao líder gestor uma metodologia que assegure a compreensão dos horizontes possíveis. Nenhum investidor correrá risco sem conhecer as estratégias do negócio em que está dispondo os seus recursos. Nenhum cliente irá estabelecer contratos com fornecedores que podem deixar de existir porque suas estratégias são falhas e começa a ser mal interpretado do mercado. A norma de qualidade automotiva solicita que se avalie o plano estratégico durante o processo de auditoria em busca da certeza de que a organização deverá existir durante o processo de fornecimento. É uma busca para não ficar sem alternativas ao longo do tempo. Num outro momento visa identificar como a liderança transforma a gestão estratégica em oportunidades de negócios e na capacitação de seu quadro funcional.
O desafio da qualidade passa pelas estratégias do líder para as organizações. A certificação ISO 9001 ou ISO TS 16949 deve consolidar o papel do líder como seu principal idealizador. Uma organização em que a qualidade não está incorporada na sua estratégia deve ser evitada, pois é passageira neste barco que navega. Infelizmente, em muitas organizações a gestão da qualidade tem sido delegada permitindo que haja condições propicias para que o ambiente desmotivador se instale. Em pouco tempo surge a percepção de que o sistema da qualidade não evolui porque o principal líder nunca está presente ou é somente envolvido em situações criticas. Um barco sem comandante que corre o risco de naufragar em águas rasas. A missão de cada um destes lideres é compreender a qualidade e correlacionar com as estratégias e cenários identificados em que a organização está suscetível. O líder não precisa dominar as técnicas operacionais da qualidade, mas, é preciso visualizá-las sob o ponto de vista conceitual e o estratégico para dar oportunidade de transformá-los em realidade. Infelizmente poucos líderes têm tido oportunidade de aprender tais metodologias com gestores e outros líderes. Usualmente os especialistas que multiplicam estes conceitos são aqueles formados com a visão técnica exclusivamente. Quando se reverte esta condição o líder consegue identificar oportunidades para que estas sejam efetivas na organização. O desafio aqui é deixar de lado os aspectos técnicos e enfatizar o estratégico com ações inteligentes e humanas. Esta tem sido a nossa missão ao treinar e capacitar líderes nas organizações.
Quando o líder assume o sistema da qualidade e, busca a integração de todas as oportunidades para aumentar e melhorar os resultados da organização, esta passa a ser uma referência. A organização torna-se benchmarking. O papel de cada líder, na realidade o sonho de cada líder é tornar a sua organização uma referência no seu segmento e, num curto espaço de tempo, torná-la referência local, regional, nacional ou mesmo internacional. Procedendo a reflexão de liderança, seus papéis e desafios e, transformando-a em ações concretas para tornar realidade. Assim, somente nos resta perguntar: o que falta fazer para começar a dar um passo adiante?
Sergio Canossa
out/2007